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RITUAL DE CURA: ESPAÇO DE TRANSFORMAÇÃO

Marinéa do Socorro Carvalho dos Santos

Mestra em Antropologia

Universidade Federal do Pará

 

 

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus.

Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam. (Jo, 1, 1-5)

 

 

Para quem está vindo pela primeira vez a um ritual de cura carismático e que já tenha participado de outros rituais de cura fora do catolicismo, não se surpreenderá com a performance utilizada pelos carismáticos, tais quais: a utilização da palavra, do corpo e o discurso do demônio. Neste ensaio descrevo os principais meios utilizados na realização do ritual de cura, aqui destaco a Palavra, que tanto pode ser as orações, os cantos ou o discurso do ministro ou fiel; a ênfase no corpo que agrega Deus e diabo e o momento da cura enquanto diferenciador e transformador de vida.

 

 

 “Se levantar os braços e pedir ao Espírito Santo, tudo acontece”

A palavra  — que tanto pode ser  o discurso do ministro, as diversas Orações para cura e libertação, os cantos e os depoimentos do fiel —  é a grande arma no Ministério de Cura, pois é através dela  que os ministros tentam convencer as pessoas — que freqüentam as reuniões para cura — de sua legitimidade e pode ser usada tanto para exaltar o Espírito Santo quanto para derrubar o Inimigo. Através do ato de falar o Ministro ou outra pessoa busca firmar suas idéias, busca transformar a vida do indivíduo que freqüenta o Ministério de Cura, para isso o ministro  pode criar ilusões comparando-as às do teatro, controlando o real pelas ilusões e mostrando uma harmonia possível.

Para os Ministros, é derrubando o Inimigo ou superando-o que se pode mostrar a eficácia do poder do Espírito Santo e credibilidade aos membros do Ministério de Cura, pois é através do testemunho e da ação que a RCC oferece oportunidade de mudança.

Durante todo o ritual de cura a palavra predomina, isso fica claro a quem assiste o ritual. Primeiro as orações de boas vindas a todos, depois cantos de louvor e agradecimentos, logo após a oração do terço, leitura da Bíblia, no qual todos podem participar, comentando a Leitura. No entanto, nem sempre isso acontece, pois são poucos os que se prontificam a falar além dos ministros, mas quando alguém fala, é comum relacionar a seus problemas ou dar depoimentos de fé ou mesmo aconselhar os outros; e a cada fala ou testemunho, os “fiéis espectadores”[1] dizem palavras como “Aleluia”, “Glória ao Senhor”, “O Senhor tem poder”.

A RCC utiliza-se da oratória, fazendo com que setores da própria Igreja Católica, como as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), a vejam como um movimento apenas de orações e pouca atuação política. Para os Carismáticos, a mudança está na pessoa, no seu comportamento e atitudes diante do Sagrado e da Vida, podendo ser confirmada através do poder do Espírito Santo, com cada testemunho individual.

Os depoimentos confirmam o que foi dito acima:

“Vim aqui buscar cura. No dia de hoje, com tantos problemas, tenho certeza que aqui vou encontrar o que preciso.... Deus tocou dentro de mim....”. (Mulher, 30 a 40 anos, num dos encontros promovidos pela RCC em 17/03/00)

“O Espírito Santo é uma pessoa que faz, age e tem o poder de mudar minha vida. Tem autoridade de mudar nossas vidas. Se levantar os braços e pedir ao Espírito Santo tudo acontece.” (Homem, 30 – 40 anos, no Seminário de Vida no Espírito, em 12/12/99)

“[Vir] buscar as forças necessárias para reagir mediante tudo que estava me acontecendo, os problemas do dia-a-dia, que eu estava enfraquecida. A gente  se acha em momentos assim até abandonada, qualquer coisa assim, uma depressão.” (Mulher, 59 anos, freqüenta o Ministério de Cura)

Numa reunião do Ministério de Cura tudo parece improvisado e espontâneo, mas cada momento tem sua hora, as orações, os testemunhos, a leitura da Bíblia, todos os momentos são coordenados, até mesmo os de maior ênfase, que constituem a oração individual para cura, pois sutilmente posso perceber o direcionamento do encontro, em que a coordenadora, através do seu conhecimento prévio de alguns problemas recorrentes às pessoas que freqüentam aquele ministério, toma-os  como exemplos significativos, buscando reafirmar o poder do Espírito Santo e as conseqüências que se tem ao negá-lo ou mesmo as mudanças que se têm ao aceitá-lo.

“... a coordenadora, num dos momentos do ritual, lê uma oração para  todos e esclarece que Jesus é quem habita naquele lugar, mesmo quando outras forças tentam se apoderar, é Ele que vence. Nós não precisamos ter medo...” (Caderno de Campo, 21-10-99)”.

“Dona Marcilia diz: ‘A oração de renúncia tem que ser diária, muitas vezes não recebemos a cura por não sabermos perdoar, precisamos saber renunciar’....” (caderno de campo, 28-10-99)

“...Para encontrar a verdadeira oração pessoal tenho que crescer. Para encontrar a verdadeira cura tenho que dar passos. Se não cresço, não dou  passos. A cura  é perdoar o irmão. Tem pessoas que não querem sair do pecado...”  (palestrante em um curso de oração pessoal, em 18-03-00)

E o ministro cita logo após sua fala uma passagem bíblica:

“Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no filho de Deus; que me amou e se entregou por mim” (Gal. 2, 20) .

No Ministério de Cura, ou mesmo nos encontros carismáticos, é o coordenador quem fala à platéia e cria “momentos de emoção”. Toca diretamente cada um dos “fiéis espectadores”, fazendo com que estes participem do ritual, seja através de depoimentos, das orações ou mesmo cantando.(Santos, 1998)

Observa-se uma das falas da coordenadora do Ministério de Cura:

“Sim, Senhor Jesus, neste momento venho te pedir perdão, pois és o único caminho a ser seguido (.....)”(coordenadora do Ministério de Cura Realeza de Deus, no Seminário de Vida do Espírito em 26/10/00)

A presença da coordenadora, como já foi dito, na reunião, é importante enquanto mediadora, alguém que tem o dom da palavra, o dom de confortar e escutar os problemas dos outros. Em tudo isso se percebe a importância do ritual, enquanto legitimador, através da mudança que proporciona no interior do indivíduo que participa deste. Pois este cria possibilidades e explicações para algo até então considerado inexplicável.  Para o carismático, o poder de transformação é possível pela ação do Espírito Santo.

As orações feitas tanto pelos ministros quando pelos espectadores têm grande poder de transformação. E uma das que mais me chamou atenção, pois é repetida com freqüência pela ministra coordenadora nos momentos de dificuldades ou tensão dentro do Ministério de Cura, foi a oração de libertação, a qual transcrevo a seguir:

“Olhai, Senhor, para este servo, prostrado pela enfermidade e abatido em seu ânimo.

Aceitai seu sofrimento para purificar-lhe a alma.

Não tardeis em restituir-lhe a saúde do corpo e a boa disposição do espírito a fim de que, reintegrado na família e na sociedade, possa voltar a desempenhar suas atividades normais e, cheio de alegria, manifestar sua gratidão pela graça recebida de vossa imensa bondade”.(Gambarini, s/d)

 

A palavra preenche as quatro horas de reunião para a cura e faz com que as pessoas participem com gestos, com frases, estimula e expressa diversos sentimentos, “a palavra cria _ ou recria_ a realidade. Tem força concreta”, afirma Waldo César (1996).

Para Austin (1990), a linguagem através da palavra é a própria ação em si, pois atua sobre o real. A eficácia do ato se encontra no sucesso da palavra dita e do compromisso da fala, ou seja, a palavra é uma forma de ação, em que “seriam expressões usadas não para descrever ou relatar algo, mas para fazer algo, para realizar um ato.” Dessa forma, Austin as chama de expressões performativas.

Csordas (1994, 1997) analisa o ritual dentro da performance de cura carismática, e também faz utilização dos atos performativos, que podem ser verbais e não verbais. Afirma que esses atos levam o indivíduo a experienciar o poder divino, que pode ser através do tremor do corpo, leveza, peso, calor, a utilização de água benta para purificar o doente (Csordas, 1994), e os atos verbais podem ser percebidos quando utiliza-se de forma evocativa: solicitando proteção através do poder do sangue de Cristo, também podem ser considerados atos performativos as revelações que acontecem no ritual de cura, a imposição de mãos e o falar em línguas.

No Ministério de Cura, observo algumas palavras que são repetidas com ênfase e que podem aqui ser consideradas expressões performativas, entre as quais “Eu perdôo”, sendo que, se o ato de perdoar não se concretizar, essa frase não tem sentido para o carismático; assim o perdão vem sempre seguido da restituição, de uma reconciliação, de um aceitar o outro, se não for assim a palavra é infeliz. “O Senhor tem poder”, “Sai demônio desse corpo”, “Vem Senhor, habita esse lugar”, são palavras ditas com força num momento de dificuldade ou no momento em que a pessoa recebe uma graça ou apenas para confirmar aos outros e a si a força do Espírito Santo; e a cada frase dita demonstra-se a fé, a esperança, e dá-se o testemunho da eficácia do poder do Espírito Santo.

Isso seria o que Leonildo Campos (1997) chama de Elocutio, palavras escolhidas para mexer com o emocional e que têm grande poder de mudança. Usam-se aqui as “palavras fortes” que demonstram um período de mudança, transição e pertença.

Os cantos também podem ser considerados uma arma poderosa, pois, muitas vezes, é através deles que todo o ritual é seguido, e como nos disse Pe. Wagner, palestrante num dos encontros promovidos pela RCC, “a música evangeliza muito mais”:

“Renova-me, Senhor Jesus, já não quero ser igual.

Renova-me Senhor Jesus, põe em mim seu coração.

Porque tudo que há dentro de mim precisa ser mudado, Senhor.

Porque tudo o que há dentro do meu coração precisa mais de ti.”. (Canto, nº 730, do Livro Louvemos o Senhor)

 

O desejo de mudança, de crescimento espiritual, está presente em cada oração, seja cantada ou falada. A emoção, as lágrimas, os sorrisos, o abraço, o toque de mão acompanham esse momento em que o corpo todo fala, seja ele para negar ou confirmar os poderes do Espírito Santo.

Corpo, templo do Espírito Santo

Na RCC, observo que o corpo tem destaque nos rituais, através dos louvores, das técnicas de cura, das expressões corporais reproduzidas pela dança, através da música, entre outros. Desta forma, o corpo é parte integrante do Espírito, fazendo com que a doença ou a cura perpassem por esses dois pólos, sem negar nenhum.

O ser humano é, para a RCC, um ser tripartite, constituído de corpo, mente e espírito (Csordas, 1994), em que nenhum tem peso maior do que outro, todos eles contribuem para um restabelecimento da saúde, da fé, da aproximação com o Espírito Santo.

Porém, a visão dicotomizada de homem, segundo Cavalari (1996), vem desde a antiguidade Grega até os nossos dias, em que o ser humano é composto por corpo e alma, corpo e espírito. E essas partes não têm recebido os mesmos valores, considerando que o corpo, apesar de, em alguns momentos, ter sido objeto de estudo, sempre esteve em menor importância em relação a alma/espírito.

Ainda, segundo a discussão de Cavalari, Platão, analisando o corpo na Grécia Antiga, considerava que a educação nesse período deveria contemplar o corpo e a alma, porém a alma suplantava o corpo através de uma educação intelectual e artística, pois, para ele, a alma vivia no mundo das idéias, era eterna, enquanto que o corpo vivia no mundo sensível, imperfeito. Nesse período cultuava-se o corpo para atingir a alma, pois este era o “cárcere da alma”.

Na Idade Média, do século XII, a idéia de homem dicotomizado não mudou, mas a idéia de corpo passou a ter uma nova conotação. Agora não mais positiva como na Grécia Antiga e sim como obstáculo para a alma.  De forma negativa, o corpo passou a ser visto enquanto pecado e o Espírito tinha que ser privilegiado, sendo que o sacrifício do corpo pela dor restituía o Espírito. O corpo aparece estando muito ligado às práticas sexuais, aos gestos demoníacos (Le Goff, 1994, Cavalari, 1996)

Nesse período, o Cristianismo retoma a idéia de carne e pecado, transforma comportamentos, dita regras para a sociedade sobre as concepções e práticas sexuais, ligando diretamente a carne ao pecado, justificando suas idéias através da Bíblia, tanto com o Antigo quanto com o Novo Testamento. E um dos precursores dessas idéias, dentro da filosofia e da teologia, é Santo Agostinho, cujas idéias permitiram a ligação do pecado original ao pecado da carne, ou seja, ao ato sexual. O corpo passa a ser obstáculo, empecilho para a perfeição da alma, demonstrando uma visão negativa do corpo, pois este remete ao pecado, daí a necessidade de castigá-lo para se chegar à salvação da alma (Le Goff, 1994; Souza Neto, 1996).

No final da Idade Média o ser humano deixou de ser o pecador  e passou a ser o centro do universo, porém, o corpo pouco ou nada é discutido. Nesse período, a visão dicotomizada é mais acentuada, através de Descartes, com a idéia corpo e razão, em que a razão através do pensamento sobressai ao corpo, pois permite chegar ao conhecimento (Cavalari, 1996)

Segundo Souza Neto (1996), a discussão sobre o corpo leva a dois caminhos: essência e existência, que de um modo geral seria a filosofia da essência centrando-se no corpo social, e a filosofia da existência centrando-se no individual. É como se o corpo fosse dicotômico e separado, o que o autor discorda; para ele, o corpo determina o centro do universo, determina o modo de vida e a visão de mundo, trazendo a maneira que enfrentamos o dia-a-dia, pois é, ao mesmo tempo, individual e coletivo, aparecendo nele as marcas dos nossos grupos e as nossas necessidades.

“Os meus valores determinam os ornamentos com os quais teço o meu corpo amanhã, questionando os corpos que estão ao meu lado. Do mesmo modo, a minha existência imediata acaba por determinar as minhas vicissitudes de cada momento, aquilo que me dá sentido no aqui e agora” (1996:36).

A partir dessa discussão envolvendo o corpo em seu significado próprio e em constante mudança, passarei a analisá-lo no espaço carismático, em que o corpo pode abrigar o Espírito Santo e o Inimigo, e pode ser visto de várias formas.

Observo que, no Ministério de Cura, os gestos, a teatralidade, o corpo de um modo geral fazem parte do ritual. Os movimentos dos corpos através da dança expressam o louvor, a aclamação. O acenar com as mãos para cima, o bater palmas, o girar do corpo, o comando do corpo a partir da música, tudo isso é a fala do corpo, expresso por gestos variados que exaltam o Espírito Santo e levam o fiel ao êxtase[2].

Os gestos não eram bem vistos pelo Cristianismo da alta Idade Média. Assim, espaços como teatro, circo, estádios eram vistos como profanos, espaços de exaltação do corpo e do demônio, por se utilizar demais expressões corporais, eram associados a práticas pagãs e por esse motivo passaram a ser proibidos pelo Cristianismo. Nesse período o corpo não poderia expressar-se de forma livre, pois os gestos, como já foi dito, eram associados ao demônio. (Le Goff, 1994).

O Cristianismo utiliza-se desse subterfúgio para colocar o corpo enquanto divisor, pois além dele ser negado também divide as classes sociais, subjugando alguns como inferiores e desprovidos de sensibilidade, tais como escravos, trabalhadores pobres, entre outros.  (Rodrigues, 1999, Le Goff, 1994)

"O Caminho da perfeição espiritual passa pela perseguição do corpo: o pobre é identificado com o enfermo e com o doente, o tipo social eminente — o monge — afirma-se atormentando o corpo com o ascetismo e o tipo espiritual por excelência — o santo — só o é de um modo indiscutível quando sacrifica o seu corpo no martírio". (Le Goff, 1994: 146)

É no teatro que a representação aflora, a comunicação se faz presente e o real se liga com o imaginário. E apesar das proibições das encenações teatrais pelo Cristianismo, as procissões e romarias preservaram, ainda que de maneira conflituosa, a ligação entre teatro e religião, pois eram acompanhados por música, dança, e outras expressões; dessa forma, afirma Leonildo Campos (1997), foi a religião popular que não deixou se perder a aproximação entre teatro e religião.

No Ministério de Cura é necessário cuidar do Espírito para se manter a harmonia do corpo e vice versa. O corpo tanto pode abrigar o Espírito Santo quanto o demônio. Os gestos estão mais livres, o corpo expressa-se de diferentes formas para exaltar o Espírito Santo, porém ainda com restrições, considerando que os gestos agressivos, o repouso demorado, a agitação, entre outras características, podem ser associadas à possessão demoníaca pelos carismáticos (Maués, 2001). E é essa a luta constante dos carismáticos e membros do Ministério de Cura, vencer o mal e os desejos do mundo, mantendo o corpo sadio e regido pela moral da Igreja.

A performance utilizada no ritual de cura, as encenações, a estrutura do ritual que utiliza-se do corpo é umas das chaves para a cura, isso pode ser melhor analisado através das técnicas para a cura, que envolve todos os participantes, criando uma luta constante entre o bem e o mal. As músicas cantadas no momento do ritual e as expressões corporais, deixam claro que o corpo justamente com a alma tem papel fundamental na cura.

Um corpo doente e frágil é alvo perfeito para o Inimigo. É necessário cuidar do corpo para salvar a alma e manter a saúde. A RCC utiliza-se desse discurso para atrair as pessoas para seus espaços, criando oportunidades de cura e libertação a partir do imaginário demoníaco.

Assim como a discussão do corpo passou por diversas interferências e mudanças históricas, principalmente com o Cristianismo, o demônio também passa por esse mesmo processo. Em pleno século XX o demônio retoma seu lugar enquanto explicação para os males pessoais e coletivos, tais como doenças, desemprego, desavenças, entre outros.(Carranza, 1999; Mariz, 1997b)

Com o avanço do Cristianismo, segundo o que diz Brenda Carranza (1999), tudo que estava fora desse plano ou sem o domínio deste, era considerado ilícito e atribuído às populações bárbaras. Assim, a magia, as adivinhações, entre outras práticas, eram consideradas demoníacas e pagãs e precisavam ser abolidas, seja através da repressão, seja utilizando da Inquisição. A igreja também, em determinado momento, não conseguindo vencer algumas práticas, passa a  reintepretar as mesmas, incorporando-as ao Cristianismo da forma que melhor convinha a este.

Com o Concilio Vaticano II[3], o demônio deixa de ser o ator principal do Cristianismo, passando a ter um lugar secundário, acabando com a censura e repressão que envolvia seu nome e passa a ser substituído agora pelo mal generalizado, porém o Cristianismo ainda mantém o controle sobre a consciência dos indivíduos.

Com a RCC, o imaginário demoníaco volta à tona, e o demônio, passa a ser o grande Inimigo, que interfere no crescimento espiritual do indivíduo, trazendo doenças como depressão, angústia, medo, entre outras.

O discurso carismático é de que o Inimigo é camuflado e utiliza-se de artimanhas, e está no cotidiano das pessoas — através das drogas, dos programas de TV, do sexo fora do casamento —, mas que sempre vem revestido de beleza superficial para atrair e trair as pessoas.

Os carismáticos dizem que a batalha é acirrada, mas apenas o Espírito Santo vence, só Ele expulsa o demônio do corpo e da vida das pessoas. Muitas vezes o corpo sofre empecilhos, mas lutar contra o Inimigo é na maioria das vezes a maneira simbólica de confirmar o poder do Espírito Santo, é dizer quem manda no espaço, é delimitar fronteiras entre o bem e o mal. (Dávila, 1999)

A utilização do corpo para cura de “doenças” consideradas espirituais dá provas disso: quando o doente coloca seu corpo por horas de joelhos sobre o altar, pedindo por cura, ou mantém-se em jejum para alcançar uma Graça, tentando vencer o mal. As doenças podem vir revestidas de várias maneiras e Le Goff (1994) mostra que a dor do corpo pode ter significados diversos, entre os quais amargura, solidão, tristeza, dificuldades e que não necessariamente precisa estar ligada à corporalidade, pois mantém um valor simbólico e cultural.

E aqui observo o corpo considerado, pelos membros do Ministério de Cura, possuído pelo demônio e a luta para restitui-lhe a saúde espiritual, numa das reuniões do Ministério de Cura:

“Dia 06 de abril de 2000, a reunião de cura começa às 16:30 horas. Os ministros estavam se preparando através de orações desde às 15 horas para receberem as pessoas, sob a orientação da coordenadora Dona Marcilia. Neste dia, em especial, alguns ministros jovens da Vila de Icoaraci estavam visitando o grupo para obter experiência de cura.

Ao entramos, D. Marcilia deu as boas vindas às pessoas que estavam lá pela primeira vez, pedia para levantarem os braços, eram poucos. Começou o ritual com um canto e logo depois passamos à reza do terço, com a seguinte  dinâmica: um lado reza Ave Maria e o outro responde Santa Maria. Do terço, passamos à leitura da Bíblia, nesse momento as pessoas podiam fazer comentários sobre a leitura.

Dois rapazes de Icoaraci fizeram os comentários e, em seguida, algumas pessoas da assembléia. Esse momento foi encerrado com alguns cantos e em seguida passamos às orações individuais.

Fechou-se a sala e quatro cadeiras foram colocadas no centro do círculo. A coordenadora orientou os jovens ministros para fazerem apenas duas orações por vez e depois trocar de lugar com outros ministros que estariam intercedendo, assim todos poderiam participar ministrando orações nos doentes.

Dona Marcilia fez a oração em um rapaz, aparentando aproximadamente uns 18 anos. Algo que achei muito estranho, pois raramente ela ora diretamente em alguém, ficando sempre à frente, observando tudo, orientando e cantando, já percebi que faz a oração apenas quando o caso é muito importante.

Percebo que o rapaz ainda está recebendo oração, mesmo quando todos da assembléia  já saíram e dona Marcilia  fala algo para ele, este se bate na cadeira e logo depois cai no chão e começa a se debater. Eram 19:15 horas, o rapaz senta no chão, fala com  voz diferente, resmunga algo não compreendido por mim, grita, tenta agarrar as pessoas. Observo que suas mãos estão fechadas.

Dois rapazes de Icoaraci o seguram e o imobilizam, mas ele resiste e por vezes tenta se soltar,o que faz com que caia no chão. As pessoas ao redor oram alto, impõem as mãos, jogam água benta. Percebo que D. Marcilia fica apenas de longe, não se aproxima, impõe as mãos de longe, busca orações em seu livro, pede para todos rezarem o Creio em Deus Pai, a Ave-Maria. Mas nada muda.

O rapaz destrói três terços e consegue se agarrar a um ministro, segurando sua camisa, tenta rasgá-la com violência, parece que ninguém consegue segurá-lo, mas, outra vez o imobilizam no chão. Os ministros de Icoaraci  seguram-no e as moças passam a orar em sua volta. Uma delas diz: “Fica quieto. Aqui quem tem força é Jesus”.

Percebo que todos estavam apreensivos, mas oram muito e já eram 20:30 horas e o rapaz ainda se mantinha no chão. Dona Marcilia diz para soltá-lo apenas quando suas mãos abrirem. Uma das ministras de Icoaraci começa a acariciar-lhe a face, dizer que Jesus o ama, Maria o ama, todos o amam. Tratam-no como se ele fosse um filho, uma criança. Ele começa a soltar as mãos, a chorar. Porém ainda se debatia no chão e assim permaneceu por um longo tempo, mas a ministra ainda lhe acariciava o rosto.

O rapaz, depois disso, tenta se levantar e os ministros o soltam, ficando ele de joelhos no chão e D. Marcilia se aproxima, o abraça, ajoelha-se junto a ele, diz-lhe algo e pede para todos fazerem um círculo e orarem agradecendo. Ele fica no círculo, de cabeça baixa e assim todos agradecem. Diferentes vozes juntam-se num agradecimento só.

D. Marcilia agradece a presença dos jovens de Icoaraci, agradece por ter acontecido isso apenas ao final da reunião, quando todos da assembléia  já tinham ido e só os ministros estavam presentes, pois as pessoas poderiam estranhar.

Para finalizar todos se abraçam e se despedem. O rapaz se levanta e senta numa cadeira e D. Marcilia diz que ele está com problemas sérios em casa e isso o perturba muito” (Caderno de Campo, 06 de abril de 2000).

 

A interpretação dada pelos ministros carismáticos de cura para este episódio é de que se trata de uma possessão demoníaca, no qual o sujeito recebe uma influência externa sobre seu corpo (Maués, 2001, Lewis, 1977), porém neste mesmo espaço, o corpo expressa-se de diferentes maneiras, seja através dos ministros orando ou das imposições de mãos tanto dos ministros quanto da assembléia no momento das orações. Pude perceber que o êxtase ou o estado alterado da consciência, para os carismáticos, pode ter dois significados, ação do Espírito Santo ou possessão demoníaca.

A ação do Espírito Santo pode ficar mais visível no corpo através dos dons do Espírito, que são nove, (colocar aqui ), o mais comumente usado pelos  carismáticos é a glossolalia que consiste em falar em línguas estranhas. No Realeza de Deus a utilização dos dons carismáticos é feita com pouca restrições, apenas a coordenadora fica mediando para não haver exageros. E diferente do que foi observado por Csordas (1994), em que os carismas são pouco utilizados no ritual de cura aberto ao público, com receio de amedrontar  ou gerar estranhamento nos de fora, no Ministério de Cura Realeza de Deus, em Belém e nos encontros promovidos pela RCC, os dons são utilizados freqüentemente, tendo mais restrições dentro da Igreja, nas missas comuns, fora disso se usa normalmente, principalmente pelos ministros  de cura e membros ativos da RCC.

Outro momento que pôde ser observado por mim numa das reuniões que participei na RCC, chamado de Querigma, aconteceu em 1999, realizado numa escola do bairro do Marco, promovido pelo grupo de oração Glória a Ti Senhor, da Paróquia de São Francisco Xavier. Neste local observei o corpo abrigando o Espírito Santo, durante todo o encontro, através de cada tema apresentado. As pessoas expressava-se através da emoção, das orações em línguas, do choro, que para o carismático é um tipo de libertação.

Observei que o momento mais expressivo foi quando, no final do ritual, todos fizeram fila para receber orações. Foram duas filas: uma com o padre e outra com um coordenador do grupo de oração que realizava o encontro. Estrategicamente, por trás de cada pessoa que recebia a oração, foram colocados alguns intercessores, homens, que auxiliavam e estavam posicionados para receber os corpos em repouso. Nesse momento fazia-se utilização da imposição de mãos. Notei que as pessoas que iam em direção ao padre apenas recebiam as orações e não demoravam a voltar aos seus lugares, já os que iam com o coordenador, passavam maior tempo recebendo a oração. E este pressionava as mãos na testa do indivíduo fazendo com que ele caísse para trás, onde já havia as duas pessoas para apoiar seu corpo e posicioná-lo no chão.

Esse ritual de luta contra o Inimigo e o ritual do repouso no Espírito parece demonstrar duas coisas que eu já havia observado anteriormente: primeiro que o ritual serve para reafirmar a fé, mostrar quem tem o poder; segundo, que a presença de alguém comandando o ritual é fundamental para uma perfeita “encenação” do ritual. É necessário mostrar para as pessoas esse “espetáculo de fé” através das ações de cura, as quais irei descrever agora.

 

Cura em ação: Fé, a chave que abre o coração

Falar em cura carismática é falar de mudança de vida, é falar de um antes e um depois. E no discurso dos carismáticos o antes pode ser atribuído ao período de sofrimento, prisão, angústia, solidão e viver para o mundo; enquanto que o depois se refere ao hoje, à libertação, à felicidade, ao crescimento espiritual, à busca pelo “self sagrado”. Veja-se um depoimento:

“Meu Jesus, eu me coloco em tuas mãos, eu não te conhecia, mas a partir do momento que te conheci, tudo transformou...” (Mulher, 50 a 60 anos, em 26/10/99 no Seminário de Vida)

Observo nos discursos carismáticos que as experiências religiosas de “antes” não  tinham sentido, não traziam liberdade e conforto. Mesmo os que já eram católicos, ao falarem desse momento enquanto freqüentadores do Ministério de Cura dizem ter reconhecido sua religião e mudado sua maneira de participação religiosa.

“Fui muito, eu fui muito, há muitos anos atrás eu quando não tinha conhecimento da palavra eu ia, fui em cartomante, essas coisas, eu cheguei a ir sim...A cartomante falou um bocado de coisa quando eu fui, ah, me arrependo de ter ido, mas me arrependo tanto! Já sofri tanto por isso, né..! Pedi perdão a Deus por ter buscado esse lado, mas quando você não tem conhecimento faz muita coisa, eu fui, mas me arrependo, me arrependi muito” (Mulher, 46 anos, freqüenta o Ministério de Cura)

Participar de outras religiões, consideradas demoníacas, como podemos observar acima, é ter o coração fechado, “feito pedra”. É necessário romper e renunciar a cada uma delas, é necessário revitalizar a sua fé no Espírito Santo para crescer enquanto cristão. Veja-se o discurso:

“A Fé não pode balançar, temos que fazer uma caminhada de fidelidade, o Espírito Santo não planeja sofrimento, mas se Ele permite é porque vai buscar alguma outra coisa” (Mulher, 40 a 50 anos, 09/11/99, no Seminário de Vida)

“Você é filho de Deus, a hora que você convence disso você já tem com você certeza de está na presença do Espírito Santo. Jesus é revelado através de você, Jesus! Qualquer lugar que você chega, qualquer testemunho seu, as pessoas até duvidam, podem, tem até aqueles que vão duvidar, mas a mensagem fica, a semente fica, a experiência do Espírito Santo, você tem que vê o Espírito Santo dirigir sua vida, não é você mais que dirige, o bom seria que nós vivêssemos como São Paulo fala, 24 horas dirigidos pelo Espírito Santo, 24 horas” (Palestrante do Seminário de Oração Pessoal )

“Eu estava passando por uma grande dificuldade na minha vida, acho que a maior que eu já tinha , dessas que se sente no chão mesmo. E  eu tive a graça de participar do encontro com ele [Palestrante do Seminário de Oração Pessoal], do retiro. Teve um momento grande de cura e eu repousei durante muito tempo, eu desmaiei lá, e ele rezou, rezou. No momento eu não senti  a cura, eu tava falando pra ele, que eu achei interessante que eu não senti a cura, eu achei que meu coração ainda estivesse cheio de mágoas, sofrendo aquela dor. E no dia que sai de lá, no domingo na hora do almoço, eu já fui pra casa me sentindo melhor e no decorrer da minha semana eu percebi eu aquilo tudo que eu tava sofrendo eu não sentia mais....” (Mulher, 20-30 anos, no Seminário de Oração Pessoal)

“Eu reencontrei o que eu tinha perdido, naquele momento eu perdi minha vontade de viver, minha segurança. Eu fui buscar essa segurança pra viver, pra dá aos outros também, isso serve de testemunho, porque não é o dinheiro que faz a gente alcançar a graça, somos todos nós numa só direção. Ali não é só eu que recebo, somos todos nós, porque nós estamos vibrando num só sentido, de paz, de esperança, há esperança pra paz, pra tranqüilidade , pro entendimento, pra nós ficarmos alegres e adquirirmos as coisas materiais daquilo que nós vivemos, nosso dinheiro, a nossa saúde, sendo que esta saúde vai depender dessa força do espírito”. (Mulher, 59 anos, freqüenta o Ministério de Cura)

Os depoimentos de outras pessoas, como vimos acima,  servem para confirmar a fé, fortalecê-la e sentir que muitos passam pelos mesmos problemas e conseguem falar deles e mudar de vida. Assim os depoimentos passam a ter validade simbólica  muito forte para os fiéis, fazendo com que estes se aproximem da RCC ou da Igreja a partir disso.

Observo que o Ministério de Cura é uma porta de entrada para a Igreja Católica, fazendo com que muitos fiéis afastados da Igreja retomem suas atividades religiosas. Até mesmo os que não são católicos tendem a aderir, a partir da sua cura ou espelhando-se na cura de outrem.

Participar do Ministério de Cura possibilita à pessoa restituir sua vida religiosa, colocar em prática algo que considerava perdido e julgar que, ali, seus problemas podem ser resolvidos, por intermédio da fé, do amor e da oração.

Alguns depoimentos confirmam isso, pois, se indago se procuram auxílio espiritual em outras religiões ou outros meios, as respostas, muitas vezes, custam a sair, e vêm quase sempre com declarações de arrependimento; mas sempre confirmam suas idas a outras religiões ou outros meios, como médicos e cartomantes, mas que não trouxeram resultados favoráveis a sua cura ou pelo menos de modo satisfatório.

“Também procurei médicos, quando estava muito, muito...dezembro de 99, eu estava muito perturbada, muito mesmo, não sabia que rumo tomar. Aí eu procurei um médico, esse médico até, eu queira um  psicólogo, eu queria muito um psicólogo, então fui no Hospital das Clinicas e consegui esse médico lá, esse psicólogo e conversei muito com ele. Mas só que eu chegava lá e via que não era aquilo, sabia que minha cura ali e aquele meu problema não estava ali, mas ai eu ia, freqüentei lá uns 3 meses com ele, depois eu abandonei que eu vi que não era aquilo, foi o tempo que eu entrei no Ministério de Cura. Então pra mim abandonar e vê mesmo que não era, foi uma vez, porque eu tava tomando remédios forte de controle pra dormir, tudo isso, que eu tinha insônia, eu não dormia, fazia muito tempo que eu não dormia direito, eu passava o tempo todo quase acordada, tinha noite de vê anoitecer e amanhecer e não dormir e eu sofria muito com isso e então comecei a tomar remédio controlado e quando eu vi um dia assim me deparei eu estava no hospital buscando o remédio, eu fui vê, eu despertei eu estava no meio de pessoas doentes mentais mesmo, que tem lá muitos, ai eu olhei assim pra mim, assim, olhei pra dentro de mim e disse: Deus, que quê eu tô fazendo aqui, porque isso aqui não é pra mim, eu tenho certeza que não é. Eu fiquei, tipo assim, num desespero, sabe, vendo tudo aqui, não é pra mim, não é pra mim, não é meu lugar aqui, aí o médico me deu a receita tudinho, era pra eu apanhar os remédios tudo pra cá pro posto daqui, eu disse: não eu não sou doente, eu não tô doente, eu fiquei naquele desespero, aí eu abandonei isso tudinho, tudo, tudo mesmo e me dediquei só lá, foi ficando e acreditando mesmo na minha cura, ali no Ministério de Cura e graças a Deus eu me libertei daquilo”. (Mulher, 49 anos, freqüenta o ministério de cura)

Os depoimentos de adesão à Igreja Católica através da RCC com o Ministério de Cura vêm confirmar o que Maués (1999) chama de conversão traumática, em que o indivíduo adere a esse movimento a partir de uma crise de vida, relacionado quase sempre a problemas de ordem psicológica e social. Observo que as pessoas chegam ao Ministério de Cura para resolverem problemas familiares, amorosos, de trabalho, de vizinhança, que acabam por prejudicar sua vida social.

Para o carismático, a cura é uma constante e é necessário buscá-la, fortalecê-la e mantê-la. E o discurso do convertido perpassa pelo “vazio” ou carência de vida espiritual (Maués, 1999; Nicolau, 1997), que não deixa de ser um momento de aflição, dúvida e crise, ou seja, conversão traumática. Veja o que Maués (1999) nos diz:

“Assim, a crença do indivíduo nos poderes de Jesus, nos dons do Espírito Santo, na inspiração divina dos pastores e dos demais fiéis, bem como a força exercida pela crença partilhada coletivamente dos membros da Igreja a que adere, tudo isso contribui para a própria escolha da adesão, ao mesmo tempo que reforça seus laços de pertencimento”. (Maués, 199:21).

 

Assim, a conversão passa diretamente por uma mudança de vida, uma transformação no interior do indivíduo a partir, principalmente, da cura espiritual, pois como já foi discutido, esta é a cura propriamente dita e esperada, tanto pelos doentes quando pelos ministros de cura, que não querem mais viver as dores do pecado e assim buscam uma restituição através da construção do "self sagrado".

 

Bibliografia Referida

AUSTIN, John Langshaw  Quando dizer é fazer/ Jonh Langshaw Austin; Tradução: Danilo Marcondes de Souza Filho/ Porto alegre: Artes Médicas: 1990.

CAMPOS, Leonildo Silveira. “Teatro, templo e mercado: Organização e marketing de um emprendimento neopentecostal” / Leonildo Campos, Petrópolis, RJ: Vozes, São Paulo: Simpósio Editora e Universidade Metodista de São Paulo, 1997.

CAVALARI, Rosa Maria Feiteiro. O pensamento filosófico e a questão do corpo. IN: SOUZA NETO, Samuel de (Org.): Corpo para malhar ou para comunicar?. São Paulo: Cidade Nova, 1996. (Pensar mundo unido)

Cesar, Waldo. Pentecostalismo e futuro das Igrejas cristãs/ Waldo Cesar, Richard Shauld. Petrópolis, RJ: Vozes, 1999.

__________. Linguagem, Espaço e Tempo no cotidiano pentecostal. IN: Religião e Sociedade, n.º 171, 111-122, 1996.

Csordas, Thomas J. The Sacred Self: a cultura phenomenology of charismatic healing. Berkley, Los Angeles, London: University of California Press, 1994.

________________. “Imaginal Performance and memory in ritual healing” IN: LADERMAN, Carol & ROSEMAN, Marina (ed). The Performance of healing. New York: Routledge, 1996.

Csordas, Thomas. Language, Charisma and Creativity: The ritual life of a religious movement. Berkley, Los Angeles, London: University of California Press, 1997.

Lewis, Ioan M. Êxtase Religioso: Um estudo antropológico da possessão por espírito  e do xamanismo. São Paulo: Perspectiva, 1977.

Maués, R. Heraldo. Bailando” com o Senhor: Técnicas corporais de culto e louvor (O êxtase como técnica corporal). Trabalho apresentado na XI Jornadas sobre Alternativas Religiosas na América Latina. Santiago do Chile, 2001.

RODRIGUES, José Carlos. O Corpo na História. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1999.

Santos, Marinéa  Carvalho dos. Catolicismo em Novos Tempos: Das Cebs à Renovação Carismática. Estudo numa Paróquia de Periferia Urbana em Belém. Trabalho de Conclusão de Curso. UFPa/1998.(mimeo)

SOUZA NETO, Samuel de. Corpo para malhar ou para comunicar?. Souza Neto, Sameul de (org.) São Paulo: Cidade Nova, 1996. (Pensar mundo unido)

 

 

 



[1] Diferente de Csordas (1994) que considera espectadores as pessoas passivas no ritual, uso a expressão para definir as pessoas que fazem parte da assembléia, assistem, participam  e fazem parte do ritual de cura.

[2] Seria  estado alterado da consciência, que tanto pode ser voluntário ou involuntário, consciente ou inconsciente. Sobre o assunto ver melhor em Ioan Lewis (1977).e Maués (2001)

[3] Reunião de bispos , convocada pelo papa para decidir sobre a vida da Igreja. Responsável pelo aggionamento católico, saindo desse encontro vários documentos que redefiniram alguns aspectos da Igreja Católica. Atribui-se a ele o documento que dá origem a RCC, assim como o documento que dá origem às CEBs.