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PROTESTANTISMO

 

Autor: Rosimeire da Silva

Título: Um Novo Olhar sobre a adesão do protestantismo em Caruaru - PE

 

Vários estudos têm sido conduzidos para falar de religião, novas pesquisas estão sempre surgindo, tentando responder uma série de inquietações que povoam o coração humano, buscando entendimento para esta pluralidade religiosa. Dentre tantos temas abordados um chamou-me atenção: a grande dissidência denominacional. Diante disto o meu questionamento dá-se em torno das motivações no processo da adesão à cada uma das igrejas trabalhadas (Presbiteriana do Brasil, Assembléia de Deus e Universal do Reino de Deus) uma vez que, juntas, compõem o quadro das religiões “protestantes” dentro do cristianismo. O estudo foi conduzido através de entrevistas com pastores e membros das respectivas igrejas, leitura de livros, jornais e revistas. A conclusão foi surpreendente ao percebermos, como a busca por um único Deus é feita e transformada ao longo do tempo, em virtude da mudança de mentalidades provocadas pelo estado social, político e econômico em que se encontram as pessoas nos finais do século XX.


 

PROTESTANTISMO

Autor: Rosimeire da Silva

Título: Um Novo olhar sobre a adesão do protestantismo em Caruaru – PE

A problemática de nossa pesquisa gira em torno do papel representado pela religião, com respeito às motivações que levam à adesão do protestantismo em Caruaru/PE. O objetivo principal do nosso trabalho, consiste na análise das motivações que levam as pessoas a optarem por suas igrejas nesta cidade. Propomo-nos   levar ao conhecimento da população interessada em religião, o porque destas motivações, examinar novas idéias religiosas, e como elas são  expressas no meio evangélico.

Se reportamo-nos ao início  do século XX, e analisarmos estas motivações,  vamos perceber que, em muito, irão diferenciar do século atual. As pessoas, no  início do século passado, buscavam apenas a Igreja Congregacional[1], para  que pudessem fazer  uma opção religiosa. O motivo era  basicamente um: converte-se ao  evangelho, unicamente para seguir a Cristo, conhecer  sua obra salvadora,  uma vez que, divergia em parte, da Igreja  Católica[2]

Nestes  tempos, em que  estamos vivendo, as igrejas  evangélicas em Caruaru, estão experimentando uma variedade nova de  motivos  que as fazem  escolher por uma igreja. Segundo Soares, (1996, p.63)  um dos motivos que levavam as pessoas   à conversão , eram as  perseguições religiosas; por mais hilário que pareça, esta causa, despertava com bastante intensidade, o desejo de passar para um outro lado religioso. Outro detalhe, também importante e curioso, era o fato dos perseguidores, de uma forma ou de outra  aproximarem-se dos seus perseguidos, para ouvirem deles a Palavra de Deus.

As várias perseguições  e violências aos protestantes até  finais do século XX, denota a seriedade com que estes abraçavam o Evangelho; as conversões representavam muito mais uma tomada de posição quanto  a um estilo de vida cristã, do que mesmo a uma escolha de razão  pragmática. O que nos mostra hoje, a maioria das conversões, em especial as neo-pentecostais, é que as pessoas estão buscando muito mais a segunda opção .           Hoje, observamos os valores usados, para que se escolha uma denominação evangélica, e percebemos o quanto desgastados eles estão; haja vista as novas  tendências, mais humanistas que teocêntricas. O imediatismo tomou conta das pessoas, não só profissional, financeiro e socialmente, mas  também afeta a religiosidade popular. O Deus que se busca hoje, cobra-se  Dele resultados imediatos, no que concerne  à saúde, trabalho, vida amorosa e familiar, enfim, tudo o que se insere na vida do ser humano, ele “ exige” de Deus providencias rápidas.

Ao buscar uma igreja, uma religião, o homem e a mulher estão desejosos de que elas se  amoldem  aos seus caprichos, ao seu modo de vida. Cobra-se de Deus, que Ele esteja  de acordo com  os sonhos e desejos de cada um; não sou eu que preciso Dele, é Ele quem precisa de mim.  Esta observação foi transparecida na fala de alguns entrevistados,  e limitado a  um único grupo: neo-pentecostal.

Não podemos generalizar os motivos da adesão, pois eles irão divergir quando analisamos as três modalidades de  protestantismo (histórico, pentecostal e neopentecostal), previamente escolhidas para que pudessem nortear o rumo da nossa pesquisa. Dentro destas  escolhas, começamos pela Igreja Presbiteriana, que além de ser uma igreja histórica, é também um dos frutos da Reforma Protestante. Em Caruaru, perfazem  um total de cinco igrejas e algumas congregações, com aproximadamente 1500 membros. Sua  sede fica à Rua Alfeu de Oliveira, nº 222 – Centro, fundada em 27 de Maio de 1927. O ponto principal  na sua doutrina é a questão da predestinação[3], visto que  esta  toca na soberania de Deus; a  salvação baseia-se nos propósitos Dele, e não sobre as vontades humanas. A Igreja Presbiteriana tem como regra de fé e prática, a Bíblia, que é a incontestável Palavra de Deus.

Ao analisarmos os propósitos que levam as pessoas aderirem a esta igreja, verificamos que houveram mudanças significativas dentro do pensamento do homem e da mulher, nos  finais do século XX, que os levavam à conversão; mas uma coisa  permanece: a busca de um Deus capaz de  restaurar vidas, de curar enfermidades, recuperar felicidade  perdida,  levantar caídos, etc. Foi detectado que a leitura e o estudo da Bíblia são pontos  ainda muitos fortes, que levam  homens e mulheres  a se tornarem presbiterianos; pois o que se prega, nela está escrito.

A liberdade de pensamento e a democracia no governo desta igreja, faz dela uma denominação sem imposições, onde o indivíduo pode caminhar sem medo, sem culpa e sem perseguição, simplesmente vivendo da liberdade dada por Jesus Cristo. Nela se busca a Deus pelo que Ele é; não se barganha com Deus. As riquezas materiais são ganhas pelo  esforço do trabalho de cada um, e isto com a bênção de Deus.

Embora haja em algumas igrejas, dentro do presbiterianismo, que apelem para a indução no momento de culto para seduzir os não-crentes, esta não  é  uma prática comum entre eles, que aliás deixam os seus  visitantes bem  à  vontade. Em  relação  a não indução, é preciso esclarecer que agindo assim, conforme nos declarou um dos seus pastores, a igreja terá fiéis mais convictos,  mais crentes, pois é usado a razão e não a emoção para que esta adesão se realize. É preciso saber que as emoções são mutáveis, ninguém é todo o tempo alegre, triste, melancólico, irado, pacífico, etc. o nosso humor varia de acordo com o nosso estado de espírito, e às vezes uma tomada de decisão face a uma emoção pode ser prejudicial, e em alguns casos há destruição de vidas. Isto também se aplica na religião, que  aliás é muito sério e forte  na vida do ser humano.

Tanto homens  como mulheres foram taxativos ao referirem-se às dúvidas religiosas e espirituais que carregam  consigo, e não encontravam respostas em suas  antigas religiões. Um detalhe nos chamou a atenção, o Cristo antes visto como morto e preso numa  cruz,  é visto pelos novos convertidos como um Cristo vivo, fora da cruz, e isto faz uma grande diferença.

O fato das respostas para as indagações terem respaldo bíblico, é um detalhe relevante, pois a Bíblia como Palavra de Deus não pode ter divergências, mediantes as explicações dadas pelos presbiterianos. A preservação da sã doutrina é o maior dos motivos que faz da Igreja Presbiteriana ser ainda um marco da igreja histórica. É louvável que ela não seja de todo pragmática, pois segundo os seus membros, entrevistados, o que a torna diferente é a seriedade com que se trata a Palavra de Deus; e isto os fazem mais convictos da opção feita.

A palavra liberdade foi muito empregada nas falas dos entrevistados da Igreja Presbiteriana, e reafirmando esta declaração foi citado por um deles o livro do apóstolo João capítulo 8 versículo 36, que diz: “ Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”

Dentro do protestantismo vamos encontrar outra linha chamada de pentecostal, e na nossa pesquisa optamos por estudar a Igreja Assembléia de Deus.

Em Caruaru, ela surgiu em 27 de dezembro de 1932, hoje localizada à Rua Vidal de Negreiros, nº 172 – Centro. Atualmente, existem 29 igrejas com aproximadamente 3000 membros.

A crença entre os pentecostais tem em comum a santificação instantânea (com perfeição impecável), o batismo com o Espírito Santo, a cura divina, a liberdade de culto ou de expressão das suas emoções. Há 100 anos os membros desta igreja eram alcunhados de “metodistas barulhentos”, por causa do seu fundador e suas pregações serem tão eloqüentes.

O pentecostalismo não é um fenômeno tão antigo no Brasil, pois surgiu por volta de 1910 com a fundação da Congregação Cristã do Brasil. Já a Assembléia de Deus veio em 1911, em Belém/PA.

A opção pelo pentecostalismo se dá em maior parte nas camadas populares, pois essa classe nem sempre encontra caminhos lá fora, para a solução dos seus problemas. As mensagens pentecostais são recheados de promessas de resoluções de problemas cruciais do povo.

Favorece no pentecostalismo a religião, a coisa do Sagrado, a democracia tão falada por seus seguidores, embora não seja assim tão democratizante. Ao participarmos de cultos, de conversas com lideres desta igreja percebemos, que há uma imposição de comportamento na forma do vestuário do crente e no modo de linguagem.

Antes dos anos 50, os pentecostais eram antagônicos ao conhecimento, hoje, não pensam assim. Ao analisarmos por este prisma podemos dizer que o pentecostalismo não favorecia à modernidade, é como se fosse um retorno ao passado, um atraso intelectual. Hoje, felizmente, este pensamento foi revisto, e o que vemos são pentecostais imbuídos dos mais diversos conhecimentos tecnológicos e culturais.

Quando buscamos conhecer as motivações anteriores que levavam as pessoas aderirem ao pentecostalismo, veremos que hoje em muito divergem. Hoje a adesão se dá em busca de ser diferente, econômico e socialmente. O emprego, a saúde, a casa própria, são as causas mais pertinentes que os levam a esta “conversão”.

Portanto, comparando ao século passado, em nada coincidem estes motivos, pois eles se davam simplesmente pela busca do Sagrado, sem nenhum respaldo material, tudo fluía para o espiritual. O Pentecostalismo hoje, como fora dito acima visa o sucesso econômico, sendo que isto nasce no século XIX com a Ética Protestante[4] que tratava da riqueza, como parte da vida dos protestantes, embora se dirigisse as igrejas históricos da época. A igreja histórica da atualidade está recorrendo do  pentecostalismo, para atender às angustias humanas. O crescimento  pentecostal se dá ao fato de atender a todos os anseios, tanto de católicos, espíritos, afros etc. Ela também responde a quase todas necessidades religiosa. Podemos afirmar isto devido a variedade de classes dentro do pentecostalismo, que vão em busca deste atendimento, destas respostas tão buscadas pelo ser humano, para que possa aliviar suas tensões, inseguranças e incertezas espirituais.

A partir de entrevista com membros da Assembléia de Deus em Caruaru, foi possível perceber o quanto eles estão preocupados e curiosos, por conhecer a Bíblia. Foi deixado bem claro o quanto eles são exclusivistas no que concerne à salvação, e os privilégios que têm como crentes terrenos. Somente eles são salvos, cabe a eles tão somente participarem da ceia de Cristo, não é permitido a nenhum crente de outra denominação este privilégio. Esta exclusividade é ponto forte na adesão, pois as pessoas querem ser exclusivas, principalmente em relação aos privilégios divinos.

A glossolalia[5] é um fenômeno bastante interessante, e que de certa maneira conduz as pessoas a um grau elevado de espiritualidade, deixando-as por vezes em “transe”. É motivo de “orgulho” dizer-se “batizado com o Espírito Santo” denota um certo poder, um privilégio que é dado a poucos. Recentemente em conversa com alguns evangélicos, nos foi informado de que há cursos para falar em “línguas estranhas”[6]. Tal foi nossa surpresa diante desta afirmação, uma vez que não se pode controlar a ação do Espírito santo, o Dom não se adquire ele é nato, cabe a quem o tem, aperfeiçoá-lo, e Deus é quem nos permite usá-lo.

Em uma de nossas entrevistas nos foi dito, que, a Assembléia de Deus é uma igreja de “fogo” lá o Espírito Santo atua de forma mais contundente, e é por isto que ela cresce, pois as pessoas estão em busca de um Deus atuante que dá poderes ao homem para realizar os seus milagres. É comum ouvirmos dizer: em tal igreja assembleiana, tem um irmão ou irmã  que “cura”; tal pessoa  que “profetiza”; faz “revelações” etc.

Todos estes fenômenos provocam curiosidades por parte das outras religiões, que  na afã de conhecê-los terminam por aderirem a esta modalidade de protestantismo. Gostaríamos de esclarecer que não se trata de juízo de valores, sabemos que nem todos  pentecostais usam destes motivos quando optam por sua igreja.

O pentecostalismo expande-se de uma  forma extraordinária, e o Brasil é destaque neste contexto. Caruaru, segundo nossa pesquisa, possui uma grande população pentecostal, que destaca-se das outras denominações locais. Esses crentes, crêem até hoje, que Deus continua agir na vida da igreja, da mesma forma que agia no tempo do cristianismo primitivo[7].

Hoje, as pessoas têm voluntariamente optado pelo pentecostalismo, devido à  receptividade, o apoio espiritual e terapêutico, e em muitos dos casos recebem ajuda material. E isto faz uma grande diferença, o povo passa fome, e nestas horas a religião, o sagrado, tornam-se difíceis de ser ingeridos. Enfim, a busca do Sagrado, a opção por uma determinada denominação evangélica, irá depender do que esta igreja pode oferecer aos seus adeptos.

Por fim, a nossa pesquisa é concluída com um modelo pentecostal, chamado de neo-pentecostalismo, representado em Caruaru pela maior das suas igrejas, a Igreja Universal do Reino de Deus,  com sua sede situada à Rua Vigário Freire, nº 241 – Centro, fundada em 03 de Março de l985. Hoje conta com 10 igrejas e aproximadamente 3.000 membros. A IURD[8] tem como seu fundador o Bispo Edir Macedo, que controla  todas as IURDs no país e no mundo.

Ela enfatiza em suas práticas, a teologia da prosperidade e os mistérios de “libertação”. Esta, é a igreja quer mais cresce, pois coloca em evidência suas práticas ministeriais, litúrgicas e controvertidas; seus ensinos polêmicos, questionando a parte prática e teológica entre as denominações evangélicas históricas e outras organizações religiosas.

O jornal  “Folha Universal” de 22 de Abril de 2001, traz  uma reportagem do Bispo Edir Macedo, sobre  o cristão em ter o “DNA de Deus”. A princípio podemos achar “loucura” mas uma reportagem desta aguça o lado ambicioso do ser humano, em querer ser Deus. Ele afirma categoricamente que o fato do cristão ter o mesmo DNA de Deus, faz dele um ser  tão capaz quanto Deus.

Enquanto Jesus, no Sermão do Monte diz: “Bem aventurado os pobres, pois verão a Deus”, a IURD proclama que um crente não pode passar por problemas financeiros, familiares, de saúde etc. Se isto acontece, além dele não poder ser chamado de crente, Deus também é “injusto” por permitir tais acontecimentos.

O que soa para nós, é que o Bispo Macedo nos convida a “exigir” de Deus tudo o que é bom, pois afinal, cremos Nele, e no Filho, é um direito nosso, e precisamos resgatá-lo. Acho-o pretensioso demais. Ao referir-se sobre um crente que vive na miséria, ele o denomina de “descrente”, neste caso, somente o Bispo e seus ministros estão nas “graças de Deus”, uma vez que são a minoria abastada. Queremos aqui dizer aos adeptos da IURD, que nada temos contra a fé que professam, mas não é justo a forma como lhes são incutidos  certos dogmas chamados de “Sagrados”.

Todas estas marcas de “crentes perfeitos” estão incrustados no mais íntimo dos homens e mulheres que optam pela IURD. No desenvolver da nossa pesquisa, as entrevistas feitas nos deram clareza do que acabamos de afirmar. O poder adquirido em nome de Jesus, desperta uma pseudo autoridade nestas pessoas, que, tentá-las convencer do contrário, é quase impossível.

Nos defrontamos com pessoas, que aos nossos olhos, elas não pareciam bem, mas insistiam em dizer que estavam; é como um elo que tememos que se quebre, e  que possa vir à tona a nossa fragilidade. É como se dissessem a si mesmos: esta mentira é verdade,  precisamos afirmá-la sempre, para que possamos estar sempre de pé. Epicuro dizia: aquilo que vemos mediante a intuição mental é tão verdadeiro quanto aquilo que vemos com os sentidos. Portanto, as pessoas às vezes insistem em transformar em verdadeiro o que imaginam ser verdade, e acreditam nisto.

É curioso as pessoas dizerem: o pastor  tal me curou, o vazio que eu sentia não sinto mais; acontecem milagres constantes em minha vida, pois  sou um crente que dou tudo que tenho para a minha igreja[9]. Aqui podemos dizer que  a necessidade é a mola propulsora, que ajuda o crente a fazer esta troca,  “eu dou tudo, e mais tarde terei  mais do que dei”[10].

Um certo membro da IURD disse-me: “eu escolhi esta igreja porque ela não me obriga a fazer as coisas: as ofertas que dou, atendo simplesmente ao apelo do pastor, e não vejo ele me  forçar a nada”[11].  O interessante, é a capacidade manipuladora dos pastores, que de uma forma sutil e perspicaz, induz o outro a fazer exatamente o que eles querem.  Estas atitudes servem de troca, os pastores sabem que o ser humano tem desejos e necessidades, e é por este lado que eles atacam, pois a carência do outro será sempre alimentada pelas falsas esperanças aplicadas por estes “falseadores do paraíso na  terra”.

Motivos para a adesão a IURD são os mais variados possíveis. A motivação dos  resultados  imediatos das petições, é estonteante, pois vemos diante dos nossos olhos que raramente acontecem, e quando funciona, não sabemos se o cego andou, ou se o mudo enxergou[12].

O vazio que é preenchido por bens materiais, e também espirituais, este não podemos julgá-lo, pois de fato encontramos pessoas que antes não tinham perspectiva de vida, e que ao adentrarem em   algum templo da IURD foram recuperados. O problema não  são os crentes dela, mas os seus líderes que tentam a qualquer custo lesarem a consciência de pessoas indefesas e miseráveis.

A prosperidade é um elemento determinante nesta conversão, todo mundo quer se dar bem na vida, ganhar o céu na terra, este  é o desejo de quase  todas as pessoas. Antes, as religiões das quais as pessoas faziam parte, antes da IURD, não tinham um “Deus que respondessem às suas súplicas imediatamente”. Na  IURD, “Jesus funciona logo, não fica com blá,blá,blá, e é isto que as pessoas estão precisando, de um Jesus que seja rápido nas  resoluções dos problemas”[13].

Uma senhora respondeu-me que gostava de palavras de auto estima, e isto ela encontrou na IURD, não importa se serão realidade ou não, o que interessa em certos momentos é a magia das  palavras,  é um tipo de massagem que faz bem ao ego. Segundo ela, amanhã será outro dia, outros problemas, e mais uma vez tudo irá se repetir.

A mais popular das motivações da adesão à IURD, é a derrota do diabo. Uma boa parte dos adeptos são “exorcistas” em potencial, pois em nome de Deus se tem “todo o poder” para expulsar demônios[14],  o que  precisa é tornar-se membro de uma destas igrejas. O diabo é o maior culpado pelos desacertos humanos. Se algo anda errado, o culpado é ele, satã.

O bispo Macedo é o maior interessado em atacar e humilhar o diabo, é justamente  fazendo-lhe acusações e exorcizando-o, que o Bispo segue construindo o seu império a largos passos. Podemos dizer que, até mesmo o diabo o ajuda, pois é derrotando-o que o Bispo cresce.

A opção de cada pessoa ao lado da IURD, se dá por motivos meramente  financeiros, é uma espécie de “sacrifício”. A adesão é expressa através da doação de dinheiro, e de acordo com a disposição de cada um, pois certamente irão compor o “grande exército do Senhor”. Ser iurdiano, significa estar em lutas constantes entre o bem  e o mal.

Ao concluirmos nossa pesquisa, verificamos que os valores de conversão variam denominacionalmente, e que já não são os mesmos dos séculos passados. O homem hoje busca o Sagrado pelo  que  ele tem a  oferecer. É  o Criador que precisa da criatura, e não o contrário. O indivíduo vive em luta diária com Deus, cobrando Dele, exigindo, barganhando  e o mais absurdo: querendo ter  o DNA Dele.


 

BIBLIOGRAFIA

 

ALVES, Rubem. O QUE É RELIGIÂO. Col. Primeiros Passos. São Paulo. Brasiliense.           1981.

BOFF, Leonardo. IGREJA: CARISMA E PODER São Paulo. Ática. 1994.

CAIRNS, Earle E. O CRISTIANISMO ATRAVÉS DOS SECULOS: UMA HISTÓRIA DA IGREJA CRISTÂ. São Paulo. Vida Nova. 1995.

CAMPOS, Leonildo Silveira. TEATRO, TEMPLO E MERCADO. Rio de Janeiro. Vozes.                                                                

       1999

DICIONÁRIO DE CIÊNCIAS SOCIAIS. Fundação Getúlio Vargas. Rio de Janeiro. 1986.

EVERY-CLAYTON, Joyce Elizabeth e ARAÚJO, Marcos Robson Quaresma. CARUARU CEM ANOS DE LUZ. Caruaru. Artberg. 1998.

FERDANDEZ, Amesto Felipe e WILSON, Derek. REFORMA : O CRISTIANISMO E O MUNDO 1500-2000. Rio de Janeiro. Record. 1987.

FERREIRA, Aurélio B. de Holanda. NOVO DICIONÁRIO DA LINGUA PORTUGUESA. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1975.

MARIANO, Ricardo. NEOPENTECOSTAIS. Sociologia do novo pentecostalismo no

       Brasil. Loyola. São Paulo. 1999.

PIERUCCI, Antonio Flavio e PRANDI, Reginaldo. A REALIDADE SOCIAL DAS RELIGIÔES NO BRASIL. São Paulo. Hucitec. 1996.

ROLIM, Francisco C. A PROPOSITO DO PENTECOSTALISMO DE FORMA

       PROTESTANTE in Cadernos do ISER – O Pentecostalismo. São Paulo. 1977.

WEBER,  Max. A ÉTICA PROTESTANTE E O ESPÍRITO DO CAPITALISMO. São

       Paulo. Martin Claret. 2001.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



* Estudante do 7º Período Diurno de História da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caruaru – FAFICA – PE e membro do GRUPEAC – Grupo de Pesquisa Educação como Ação Cultural.

[1] A Igreja Congregacional foi a primeira igreja evangélica em Caruaru (1898).

[2] Segundo alguns entrevistados a prática da Igreja Católica não convinha com o Evangelho, isto os fez aderiu ao protestantismo

[3] O ato soberano de Deus escolher previamente os salvos.

[4] Quando nos referimos à “Ética Protestante” falamos da “Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” de Max Weber, escrito no século XIX que atribui ao espírito capitalista uma ética protestante voltada ao valor econômico do estado. cf. Weber, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. SP. Martin Claret. 2001. Pg. 18.

[5] Dom das línguas.

[6] cf. I Cor. 12.

[7] Os pentecostalistas crêem que acontecerá um “Novo Pentecostes”  igual ao descrito em Atos dos Apóstolos 2, onde poderão confirmar sua fé e provarem que o dom de línguas não cessaram.

[8] A partir de agora utilizaremos a sigla IURD para denominar – Igreja Universal do Reino de Deus – como é convencionalmente chamada pelas especialistas e publicações do ramo.

[9] Dados coletados a partir de entrevistas com membros da IURD.

[10] Idem.

[11] Idem

[12] É inevitável acreditarmos que Deus cura. Mais também não podemos afirmar que não existam charlatões que utilizam o nome de Deus para proclamar curas e milagres, explorando a inocência e o desconhecimento bíblico de uma grande massa de iurdianos.

[13] Idem.

[14] O que acontece por deveras é a má interpretação de determinados textos bíblicos, p. ex. Mc 16, 16-18, que põem ênfase a expulsar demônios.